Projeto Âmago - Porquê?


O meu nome é Rita e tenho 32 anos. Sou atriz de formação e trabalhei muito tempo em produção de eventos e espetáculos.

Em 2017 fui mãe pela primeira vez, foi um parto prematuro, mas onde tudo correu bem.

Com 10 meses o meu filho começou a dizer as primeiras palavras e aparentava ter um desenvolvimento normal, mas um dia deixou de falar e aos 15 meses, numa consulta no SNS, o nosso médico de família sinalizou-o. Depois de ouvir todas as suas questões e explicações, percebi que de facto o desenvolvimento do meu filho não era o expectável para a idade.

Durante os primeiros meses li muito, procurei por ajuda para tentar perceber o que era afinal este atraso no desenvolvimento a que se referiam. Tentei encontrar as respostas que precisava para conseguir entender o que se estava a passar e para agir o mais precocemente possível.

Desde o início desta jornada, ao nosso lado, encontrámos um pouco de tudo, inércia, longos tempos de espera, falta de informação e de explicação, mas também prontidão, ajuda, colo, amizade e respeito.

O V faz intervenção desde 2019 e tem diagnóstico fechado desde 2020. E desde essa altura não sou apenas a mãe, voltei à vida de atriz e também interpreto um pequeno papel de terapeuta, psicóloga e de tantas outras personagens que sejam precisas ao longo do seu dia, para que se sinta bem e organizado.

Com esta experiência percebi que as faltas de apoio e informação são inúmeras. Conheci muitos pais que ao contrário de mim, que tive a oportunidade de deixar a minha carreira profissional para acompanhar o meu filho a tempo inteiro, continuam a ter os seus empregos, as suas cargas horárias extensas e onde é crucial que quem trabalha com os seus filhos seja de facto exímio na arte da partilha de informação.

Nos últimos anos, enquanto mãe, não aprendi apenas sobre neurodiversidade, perturbação do espectro do autismo, perturbações de desenvolvimento, dispraxia ou perturbações do processamento sensorial, aprendi também sobre capacitismo, inclusão, direitos e apoios sociais, e percebi que como eu, existem muitos pais, famílias, professores, amigos, a precisar de mais informação e ajuda.

Fui tentado apoiar todos os que encontrei, partilhando aquilo que fui aprendendo e foi nesse jogo de trocas de conhecimento que nasceu a Âmago.

Hoje ela deixa de ser apenas minha e passa a ser também de todos os que precisem dela.


Bem-vindos.


Rita



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